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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

"Toda relação é uma troca de interesses" - 24/07/13



O texto abaixo li no facebook da minha tia Ana e por ter nele identificado exatamente o que penso sobre as relações, sejam elas amorosas, familiares, de amizade ou profissionais, etc, resolvi escrever sobre o assunto.


Quando compartilhei no meu face, aproveitei para incluir uma reflexão:


"Falta de amor próprio talvez seja uma das maiores provas de que estamos descontentes com a nossa vida, afinal para nos amar, seria necessário que o que somos de alguma forma nos agradasse. Pensando assim, além de rever nossas relações com os outros, precisamos muito e SEMPRE rever se o que esperamos de nós, nos satisfaz!"

Este é o texto:

"Pesado pensar assim, né? Mas, vamos refletir um pouco sobre esta afirmação que eu, 
sem medo de ser chicoteada, faço quantas vezes for preciso.
Essa história de “Eu te amo de graça” não passa de baboseira, conversa para boi dormir. Ninguém ama ninguém de graça. Ninguém se aproxima de ninguém gratuitamente, se não for receber algo em troca.
Nas vésperas deste ano novo, eu estava em uma festa conversando com uma pessoa de quem eu me aproximei “de graça” e me dei bem logo de cara, quando surgiu esse assunto e ele me olhou e disse “Tudo é uma troca de interesses!”. No começo eu achei bastante estranho e fiquei até com um pé atrás com relação a ele, porque fiquei pensando o que eu estava oferecendo pra ele, qual o interesse que poderia ter em conversar comigo durante aquela festa. Porém, no decorrer da conversa, entendi do que se tratava eassinei embaixo.
Pensando um pouco mais sobre o assunto, lembrei de uma frase de Nietzche – e cuja opinião não tenho qualquer receio em dizer ser compartilhada por Lacan – de que “Amamos o desejo e não o desejado”.Freud também compartilhava de uma opinião semelhante, pois dizia basicamente que (não me lembro a frase exata para fazer a citação), nós não amamos o outro e sim a forma como o outro faz com que nos sintamos.
Fazendo um bem-bolado de tudo isso, vamos ao resumo da ópera: Nós não sentimos amor por aquele que não nos oferece nada em troca – e agora os religiosos fervorosos vão à loucura desejando me queimar em praça pública, pois estou deixando de lado o maior princípio do “Amor ao próximo”! Mas, quero que entendam que, até no princípio do “Amor ao próximo”, nós temos algo em troca.
Amar o próximo no sentido Bíblico faz com que sejamos pessoas melhores perante os olhos da sociedade, perante a nós mesmos e, principalmente, perante a Deus e, por isso, não amamos o próximo gratuitamente, mas sim esperando o reconhecimento de todas estas entidades juntas. Deu pra acompanhar o raciocínio?
Vamos encarar a realidade:  Você não ama o seu marido simplesmente porque ama. Você o ama pois ele faz com que você se sinta uma mulher realizada, feliz, em um bom casamento, te faz carinho antes de dormir, te leva pra jantar, te deu filhos lindos e todas as outras coisas que fizeram com que você o amasse. Não foi a magia do cupido que apareceu, flechou o seu coração e “tchum”, o amor está no ar.Você teve inúmeros motivos, muitas vezes inconscientes, para amar o seu marido.
Você também não ama seus filhos gratuitamente, mas sim por inúmeras razões, como o fato de ser mãe e de seus filhos fazerem com que o seu instinto materno fique todo aflorado. E todas as felicidades que seus filhos te dão ao longo da vida? É por isso que você os ama! Até os filhos que dão desgostos têm motivos para serem amados e não é de graça que as mães os amam.
Seus amigos, por sua vez, você ama por outras razões, outros motivos, mas nunca gratuitamente. Seja porque eles te pagam um chopinho no happy hour de sexta-feira, ou porque eles fazem com que você encontre um continentes, tenha uma pessoa com quem desabafar nos momentos em que precisa.Sempre há uma troca, toda relação é uma troca de interesses, não no sentido pejorativo, mas no sentido consicente de que, se uma pessoa não te agrega absolutamente nada nunca, pode ter certeza de que você vai passar reto por ela todos os dias da sua vida, sem nem perceber a presença dela lá.
Pense nisso!" 
[Aline Gobbi]
Fonte: http://psicologaalinegobbi.wordpress.com/2013/07/11/toda-relacao-e-uma-troca-de-interesses/

 Se não houver uma via de mão dupla, não há relação!

domingo, 8 de dezembro de 2013

Via de mão dupla sempre! - 02/04/13


Quando escrevi esse texto, estava um pouco desgastada em função de reações que vivenciei na época. Hoje reflito que nem ao céu e nem a terra, afinal faço o que faço por ser minha natureza e não posso exigir dos outros que façam da mesma forma que eu. Em compensação, acredito que as pessoas de fato deveriam reconhecer nos outros algo que gostariam de oferecer e não conseguem, talvez, pelo menos demonstrar um sinal de tentativa por consideração.

"Hoje me peguei várias vezes pensando naquela máxima que diz que você tem que se doar sem esperar nada em troca, porque caso contrário a ação não é verdadeira ou de coração.

Juro, tentei com toda a força do mundo acreditar que essa forma de ver é praticável e justa, mas confesso que não consegui.

Eu tenho um grande defeito, sou uma pessoa que vivo em função dos outros ou das opiniões alheias. Minhas ações sempre colocam os outros em primeiro lugar ou ainda são moldadas pela opinião de pessoas de quem realmente me importam.

Para alguns isso se encaixa em falta de amor próprio, para outros em falta de personalidade e para alguns poderia ser a simples aplicação daquele velho conceito: não faça para os outros aquilo que você não gostaria que fizessem para você.

Eu acho que aplico um pouco das três, porque me recordo de muitos episódios em que hoje mais madura, sei que deveria ter sido um pouco mais egoísta. Da mesma forma que a minha passividade deixou que personalidades alheias determinassem pedaços do meu caminho. E ainda já fiz e faço coisas para os outros que não quero que façam comigo. Mas eu sou humana e me permito e me condiciono ao erro, porém de certa forma, ainda priorizo o coletivo na maioria das vezes.

Bom, onde quero chegar com esse texto? Simples! Quero dizer que sim, as pessoas deveriam esperar e exigir reciprocidade de tratamento, de carinho e de cuidado. Se eu faço de tudo para ajudar as pessoas, porque não posso esperar isso delas? Se eu sempre ofereço o meu melhor para elas, porque não posso esperar o mesmo delas? Se eu tolero os defeitos delas, porque não posso esperar tolerância delas?

Relacionamento interpessoal em todas as suas áreas de abrangência é uma via de mão dupla e não podem ser de via única. Se assim forem, alguém sempre sairá ganhando e o outro sempre sairá perdendo. Bondade, gentileza, caridade, paciência e tolerância não podem ser motivos para que os "espertos" se aproveitem ou então que pessoas sem essas capacidades julguem a falha de quem as tem.

Acho que nenhum extremo é válido, mas sem dúvida, precisamos sim frear esse caminho do egoísmo que está cada vez mais sólido na sociedade e repensar e resgatar alguns valores sociais que priorizam o outro. Somos uma sociedade de muitos e não um mundo só de nós!"